Baiano participará de maior regata transatlântica do mundo

Baiano participará de maior regata transatlântica do mundo

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Quem conheceu Leonardo Chicourel na infância, em meio a uma plantação de cacau em Itabuna, interior da Bahia, não imaginava que ele navegaria tão longe. Hoje, com 33 anos, será o primeiro baiano a disputar a Transat Jacques Vabre, maior regata transatlântica do mundo, cuja chegada em novembro.

Chicoureu se apaixonou pela vela desde que subiu pela primeira vez numa embarcação do tipo, aos dez anos. Em poucas palavras, explica o motivo que o levou a se dedicar ao esporte: “Ser velejador é um estilo de vida”. Que sempre quis para si.

“Eu cursei três anos de Arquitetura, cheguei a trabalhar na área, num escritório, mas não me via fazendo isso. Então, para viabilizar esse meu sonho [de ser velejador], tive que me dedicar muito e abrir mão de muita coisa. Hoje sou muito feliz com o que faço”, conta.

Léo, como é mais conhecido, competirá em dupla com o angolano José Guilherme, radicado em São Paulo. Juntos, já quebraram um recorde na categoria Double Hand, na regata Cape2Rio 2017. No entanto, a Transat Jacques Vabre tem um percurso maior que a Cape2Rio. São 4.350 milhas náuticas, o equivalente a 8.056 quilômetros, em oposição às 3.500 milhas da Cape2Rio.

Léo e José Guilherme sairão de Le Havre, na França, no dia 5 de novembro, e cruzarão o Atlântico em direção a Salvador. É um percurso difícil que envolve a exposição a ventos mais fortes no Canal da Mancha, logo na saída, e a instabilidade climática da região da linha do Equador, que costuma ter pouco vento.

O baiano vai competir com um Class 40, um veleiro com 40 pés e sem muito conforto, mas muito forte e ideal para ser conduzido em dupla. “Esse veleiro só comporta o que é essencial. Não tem ar-condicionado, cama aconchegante, mas tem um piloto automático muito bom, é insubmergível, além de ser preparado para velejar em dupla”, explica.

Em relação à posição que espera ocupar, ele é categórico. “O resultado é uma incógnita, mas o nosso objetivo é completar o percurso e dar o nosso máximo”. Além das dificuldades do trajeto, os skippers (velejadores) precisam encontrar um equilíbrio entre velocidade e segurança, tentar encontrar o melhor caminho e prever as condições dos ventos.

Chegar à cidade onde vive, após participar da maior regata de sua vida, será um desafio marcante para o jovem velejador. Afinal de contas, Salvador está entre os melhores lugares para velejar, por ser banhada pela Baía de Todos os Santos, que tem incidência de ventos e águas quentes. Aliado ao potencial geográfico, Léo ressalta a energia e a receptividade dos baianos. “A mistura de tudo isso confere um clima mágico ao local”, opina. Para o skipper, que também trabalha com negócios náuticos, a escolha da capital como destino beneficia muito o setor, pois a coloca, novamente, no roteiro de turismo e esporte náutico.

Competição – Esta será a quinta vez que a capital baiana vai receber a Transat Jacques Vabre, que já foi recepcionada aqui entre 2001 e 2007, a cada dois anos. A escolha de Salvador como destino foi possível graças à mobilização da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), em parceria com a Secretaria de Cultura da Bahia, o Yacht Clube da Bahia e a Socicam Náutica e Turismo, empresa que administra o Terminal Turístico Náutico da Bahia.

Como patrocinadora da competição, a Prefeitura vai montar e operar a Vila da Regata, que estará localizada próxima à rampa do Mercado Modelo, no Cais da Baiana, entre os dias 12 e 24 de novembro. A estrutura servirá para recepcionar os skippers, as delegações, jornalistas e o público que poderá fazer visitação ao espaço para acompanhar e interagir com os participantes do evento. Ao todo, 41 barcos participarão da competição, com velejadores de dez diferentes nacionalidades: França, Japão, Reino Unido, Espanha, Suíça, Alemanha, Brasil, Angola, Itália e Omã.

Além do caráter esportivo e cultural, o evento também trará impactos positivos para a economia. Apenas com a equipe da Transat Jacques Vabre, haverá mais de 750 diárias em hotéis de Salvador – o que representa uma movimentação de mais de 60 mil dólares – além das diárias de familiares e demais personalidades.

A Baía de Todos os Santos, onde as embarcações chegarão, propicia diversas opções para o lazer. Uma delas é o turismo nas ilhas e praias paradisíacas de águas calmas e cristalinas, a exemplo da Praia de Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, na Ilha dos Frades, que possui o título de Bandeira Azul. Também entra na lista a prática de esportes náuticos, como o stand up paddle e o mergulho, possibilitando o vislumbre de recifes de corais e uma grande variedade de vida marinha em cenários submarinos.

Vabre, maior regata transatlântica do mundo, cuja chegada em novembro contará com o patrocínio da Prefeitura de Salvador.